Meditação, Mindfullness e Autocompaixão

CompassivaMente

Princípios Éticos Instrutores Mindfulness

Princípios éticos a observar por instrutores em programas baseados em mindfulness (MBPs – Mindfulness Based Programmes)

CompassivaMente rege-se por estes princípios éticos

 

O texto que se segue reúne critérios que foram cuidadosamente selecionados para cobrir todos os aspetos de um programa baseado em mindfulness e reflete o standard das melhores práticas internacionais. A elaboração deste texto inspirou-se no trabalho da organização: International Mindfulness Integrity Network (IMIN), que por sua vez se suportou no trabalho de diversas associações: European Associations for mindfulness based Approaches (EAMBA), a British Association of Mindfulness-Based Teachers (BAMBA), a Universidade de Oxford, entre outras (ver referências no final do texto).

Na base da definição dos critérios estão os procedimentos, caminhos de certificação e requisitos desenvolvidos ao longo das ultimas décadas, e colocados em prática nas várias organizações e institutos certificadores, sendo o Mindfulness-Based Stress Reduction (MBSR) e o Mindfulness-Based Cognitive Therapy (MBCT) as grandes referências na área. Sendo os programas com maior volume de pesquisa cientifica na disciplina do mindfulness, e atendendo a que o mindfulness se afirma cada vez mais como uma intervenção ou processo educativo com vista a promover o bem-estar e a reduzir o sofrimento, a importância da evidência cientifica dos resultados dos programas é um componente critico a manter no que toca a qualidade programática, integridade e standards dos instrutores de mindfulness.

Este texto dá um grande destaque à componente ética, o que está em consonância com o verdadeiro espírito do mindfulness, que remete para a compaixão, a inclusão e o comportamento ético como os principais motivadores da nossa prática de meditação mindfulness, e consequentemente dos nossos ensinamentos.

Apesar dos princípios éticos aqui elencados serem fortemente baseados nos programas de 8 semanas MBSR e MBCT, é expetável que os instrutores de mindfulness que ofereçam workshops, webinars, sessões de meditação ou cursos introdutórios de menor duração, se orientem por estes princípios.

No projeto CompassivaMente comprometemo-nos a seguir estes critérios e princípios éticos nos workshops/webinares de mindfulness, em sessões regulares de meditação mindfulness, em cursos de introdução à meditação mindfulness e nos programas de 8 semanas baseados em mindfulness MBSR e MSC (Mindful Self-Compassion).

 

Domínios Éticos

Transparência e abertura

Os participantes serão informados de todas as responsabilidades e recomendações

Antes do inicio do programa de mindfulness, é dever do instrutor informar todos os participantes, de forma clara e honesta, acerca dos conteúdos do programa proposto; o seu formato; a sua duração; os seus custos; os seus objetivos; os seus benefícios (e quais as atitudes esperadas da parte do participante de forma a permitir-se colher os benefícios); assim como as limitações do mesmo. Caso aplicável, o instrutor deverá ainda referir que pré-requisitos e/ou competências são esperadas do participante, bem como o nível de compromisso com as tarefas a realizar pelo participante de forma autónoma entre sessões.

 

Necessidades e expetativas dos participantes

Deve ser feito um esforço adequado para reconhecer e esclarecer as necessidades e expetativas dos participantes, permitindo que os participantes façam uma escolha bem informada. Os cursos de meditação mindfulness, em particular os programas de 8 semanas podem ser exigentes e rigorosos, requerendo um certo grau de disciplina, compromisso e maturidade.

 

O bem-estar dos participantes é mais importante do que interesses económicos

Os instrutores devem comprometer-se a facilitar cursos de meditação mindfulness que estão alinhados com as realidades económicas da região geográfica em que se inserem, e são encorajados a colaborar com outros instrutores na sua área para desenvolver redes que suportem a saúde e bem-estar acima do puro interesse económico.

 

Integridade

Integridade pessoal do instrutor de mindfulness

O instrutor de mindfulness deve demonstrar integridade na sua profissão, garantindo segurança, no melhor das suas habilidades, oferecendo confiabilidade, honestidade, igualdade, inclusão, e abertura nas suas ações, agindo com confiança, mas com uma atitude apropriadamente modesta em consonância com a cultura na qual estão a ensinar. Isto inclui honestidade no que toca ao seu próprio nível de treino e transparência ao anunciar as suas qualificações e nível de experiência.

 

Motivação do instrutor de Mindfulness

É essencial que aquele que se propõe a ensinar cursos de meditação mindfulness e programas baseados em mindfulness, seja movido por uma intenção genuína de aliviar o sofrimento nos indivíduos, na sociedade e de forma mais abrangente no coletivo de todos os seres vivos, contribuindo para uma genuína melhoria no discernimento, compaixão, sabedoria, bem-estar e felicidade de todos.

 

Confidencialidade

O instrutor de cursos de meditação mindfulness deve manusear a informação pessoal de e acerca dos participantes, respeitando a confidencialidade e fazendo tudo ao seu alcance para prevenir qualquer abuso ou divulgação de dados ou informação sensível de participantes, exceto em situações em que o participante esteja em risco de se causar dano a si mesmo ou a outros. A utilização de supervisão, bem como o trabalhar dentro das fronteiras de códigos de ética da medicina, psicologia, ou outros contextos profissionais relevantes são fortemente recomendadas.

 

Atitudes fundamentais

É esperado do instrutor de cursos e programas de mindfulness guiar-se pelas atitudes fundamentais do mindfulness: não-julgamento, paciência, mente de principiante, confiança, não-luta, aceitação, desapego, bem como as atitudes mais recentemente acrescentadas da gratidão e generosidade – na relação com o seu trabalho e a sua vida (Kabat-Zinn, J. (2013). Full Catastrophe Living.)

 

Respeitar a autoria e propriedade

Respeitar os direitos de autor de ideias e produtos. O instrutor de mindfulness deve apresentar o seu trabalho de forma honesta, e não se apropriar do trabalho de outros como sendo seu, sem a devida permissão. Isto aplica-se a websites, gravações, logos, citações ou qualquer material escrito.

 

Respeito pela integridade dos programas

O instrutor deverá ancorar os seus ensinamentos num dos programas de mindfulness baseados em evidência científica, no qual fez o seu treino. O instrutor de mindfulness respeitará a integridade dos currículos dos programas MBSR, MBCT ou outro MBP (mindfulness based program). Sempre que se propuser a ensinar os programas com estas designações, o instrutor de mindfulness deverá reger-se estritamente pelos seus currículos, sem acrescentar elementos ou conteúdos estranhos ao corpo de pesquisa do programa em causa.

Este ponto relaciona-se diretamente com o primeiro domínio do MBI-TAC (Mindfulness-based Interventions – Teaching Assessment Criteria): Abrangência, ritmo e organização do conteúdo da sessão. O MBI-TAC é um manual desenvolvido pelas Universidades de BangorExeter e Oxford para avaliar a competência e adesão de instrutores aos programas baseados em mindfulness.

Todos os instrutores são encorajados a ler este manual de forma a avaliarem periodicamente as suas forças e vulnerabilidades nos vários domínios de competências, de forma a irem adquirindo crescente desempenho e proficiência no ensino do mindfulness ao longo do tempo.

 

Aprendizagem contínua

Dedicação a uma prática e aprendizagem continua

instrutor de mindfulness deverá ter presente a intenção de se manter atualizado com as melhores práticas e desenvolvimentos no campo do mindfulness, cuidando da sua formação e prática continua.

O melhor que conseguir, o instrutor deverá manter-se atualizado no que toca ao entendimento do mindfulness, informando-se de desenvolvimentos relevantes do ponto de vista clínico e científico, bem como da origem histórica que remonta a tradições filosóficas e espirituais.

O instrutor deverá cuidar da sua saúde física, mental e emocional, permanecendo atento aos estados do seu corpo/mente. É essencial que mantenha uma prática formal diária consistente, bem como realize pelo menos uma vez por ano, um retiro de silêncio com um mínimo de 5 dias.

O instrutor deverá corporificar (encarnar) uma certa maturidade que provem do entendimento e realização do mindfulness momento a momento, relacionando-se com o que surge a partir das atitudes fundamentais do mindfulness: não-julgamento, paciência, mente de principiante, confiança, não-esforço, aceitação, desapego, gratidão e generosidade. As suas intervenções deverão partir de um lugar de discernimento, de um coração compassivo e gentil, cuja intenção é o beneficio do(s) participante(s).

Este ponto relaciona-se directamente com o segundo domínio do MBI-TACCompetências relacionais, e o terceiro domínio: Corporificação do mindfulness

 

Desenvolvimentos no campo do treino/ensino de MBPs

Compromisso em manter-se atualizado dos últimos desenvolvimentos na ciência do mindfulness, no programa em particular em que o instrutor de mindfulness se treina, os métodos atuais de mindfulness-based teaching assessment and competency (MBI-TAC), e outras áreas consideradas apropriadas por entidades certificadoras, ou comités de standards nacionais e internacionais.

 

Desenvolvimentos no campo da pesquisa cientifica

O instrutor de mindfulness deve manter-se atualizado das mais recentes publicações de pesquisa cientifica e evidencias em desenvolvimento para programas baseados em mindfulness (MBPs), com uma ênfase particular na área de treino em particular do instrutor.

Primazia da prática pessoal de mindfulness do instrutor

Prática pessoal de mindfulness

A prática pessoal contínua, formal e informal de mindfulness é essencial para os instrutores e treinadores de instrutores. É expetável que o instrutor de mindfulness realize as práticas de forma aprofundada, tanto formal como informal, à medida que vão sendo propostas aos participantes no programa em particular no qual o instrutor está a ensinar. É esperado que os instrutores não realizem menos do que aquilo que estão a solicitar aos seus participantes, em termos de práticas formais e informais de mindfulness.

 

Práticas intensivas de meditação mindfulness em formato residencial – Retiros

É fortemente recomendada a participação de forma regular e pelo menos uma vez por ano de retiros de silêncio orientados por professores, com práticas de meditação intensivas, para suportar a prática continua do instrutor de mindfulness.

Os retiros ajudam o instrutor de mindfulness a aprofundar a capacidade de integrar e corporificar (“to embody”) em si o conceito de mindfulness no contexto do seu ensino. Este é um aspeto fundamental para um ensino competente. Só quando nos confrontamos contínua e consistentemente com a nossa própria experiência, no ambiente único de um retiro de silêncio de vários dias, é que podemos estar melhor preparados para suportar os participantes de programas e cursos de meditação mindfulness a contactarem e relacionarem-se com a sua própria experiência.

À medida que o campo do ensino do mindfulness se desenvolve, será necessário redefinir e afinar culturalmente os parâmetros do que se entende por prática intensiva de meditação em formato residencial, ou em suma um retiro. Isto inclui definições claras do que toca à frequência, duração, requisitos dos conteúdos ou do professor que orienta o retiro de meditação.

Por outro lado precisamos de reconhecer que se queremos trazer o mindfulness para a sociedade e cultura dominantes (mainstream), isto significa que necessitamos de investigar e encontrar novas formas de aprofundar a prática, cultivar sabedoria e discernimento, bem como potenciar a corporificação do mindfulness, de forma a manter as expetativas realistas. Por exemplo a frequência e duração dos retiros deve flexibilizar-se ao tomar em consideração a situação pessoal do instrutor (família, possibilidades económicas e tempo), bem como as oportunidades disponíveis. Por exemplo, a expetativa típica (após conclusão do processo de certificação) é de 5-7 dias de retiro de silêncio por ano, no entanto, os compromissos familiares podem implicar um ajuste para um calendário mais realista de dois fins-de-semana de retiro, o que será aceitável. Alguns parâmetros no entanto deverão ser incluídos. Por exemplo, pelo menos uma vez a cada três anos, será mandatória a participação num retiro de meditação em silêncio de pelo menos cinco dias.

 

Tradições contemplativas

Deverá ser reconhecido que o treino da sabedoria se expressa e reflete numa ampla gama de tradições de meditação e disciplinas de treino de consciência, e que os retiros nestas tradições poderão servir de forma profunda e importante, para expandir, enriquecer, complementar e fortalecer a fundação do mindfulness, e como tal, os intrutores de programas baseados em mindfulness são encorajados a treinar-se com regularidade nas suas próprias tradições no que toca a meditação.

Por outro lado, é benéfico para o instrutor de mindfulness, participar em retiros de Insight/Vipassana do movimento ocidental (originário do budismo Theravada), ou tradição puramente mindfulness, uma vez que estas tradições refletem de perto e servem de fundação para a prática, espírito e atitudes do MBSR, MBCT e outros MBPs.

Instrutores de mindfulness que pratiquem fora da tradição ocidental de Insight/Vipassana devem procurar orientação para a sua meditação quando em duvida, ou quando pareça surgir um conflito entre as suas tradições e a prática de mindfulness tal como ensinado nos MBPs.

Os instrutores devem comprometer-se com algum tipo de diálogo, “supervisão”, ou intercâmbio de “dharma” acerca da sua prática de meditação pessoal, com uma periodicidade regular, da mesma forma que se comprometem com a supervisão dos seus ensinamentos de intervenções baseadas em mindfulness. Isto pode ser realizado com um treinador de instrutores de mindfulness, ou um grupo de discussão (sangha), ou com o respetivo supervisor de MBSR, MBCT ou outros MBPs.

 

Relação com o Dharma

Os instrutores de mindfulness dos programas MBSR, MBCT ou outros MBPs concordam em se abster de doutrinação política, ideológica ou religiosa. O instrutor de mindfulness deve fazer todos os esforços para manter a honestidade e verdade ao representar o programa MBSR, MBCT ou outros MBPs. A experiência pessoal do instrutor com outros caminhos e tradições poderá ser partilhado fora do âmbito formal do programa em causa. O instrutor poderá, é claro, falar acerca das origens do mindfulness, ou acerca da sua prática, se lho perguntarem.

Adicionalmente, convém que os instrutores de mindfulness utilizem nos seus programas e ensinamentos uma linguagem não-Budista. Os instrutores devem falar do dharma universal utilizando linguagem acessível, corrente e não-especializada.

 

Limitações

Reconhecimento das limitações dos programas ou da competência pessoal

O instrutor deverá estar consciente de que um programa MBSR ou MBCT não é substituto para um tratamento médico, psicoterapêutico ou psiquiátrico. Nos casos em que eventualmente o programa se revelar insuficiente para ajudar um participante, o instrutor deverá reconhecer com honestidade as limitações da sua competência e as próprias limitações do programa em curso.

Se o instrutor sente que não tem competência para lidar com uma situação, deverá informar o participante e recomendar-lhe um colega vocacionado.

Quando em duvida, o instrutor compromete-se a consultar um profissional médico ou de saúde mental para discutir a situação. Os instrutores que não têm treino profissional na área médica ou da saúde mental, devem estar particularmente atentos a isto e devem comprometer-se a atuar sempre com cautela.

Este ponto relaciona-se diretamente com o sexto domínio do MBI-TACCuidando do espaço de aprendizagem do grupo

 

Responsabilidade nas relações

Relação com os participantes

O instrutor de mindfulness deve ter presente a natureza assimétrica da sua relação com os participantes. Como instrutor, o seu nível de experiência e competência em mindfulness é maior que o dos participantes. Isso confere-lhe a responsabilidade de facilitar o desenvolvimento da prática de mindfulness dos participantes.

O instrutor deverá definir as fronteiras deste espaço do grupo, cuidando dos seus limites e também dos limites de cada participante. Este deverá ser um espaço seguro de confidencialidade, empatia, compaixão e capacidade de acolher o que surgir na experiência dos participantes ao longo do programa. O instrutor tem a responsabilidade máxima em fazer cumprir as intenções e ética envolvidas nos ensinamentos, e reconhece a natureza desproporcional na relação instrutor-participante/aluno em termos de poder, confiança e mutualidade.

As dinâmicas de diferencial de poder ocorrem fortemente em situações e encontros educacionais e terapêuticos, e é total responsabilidade do instrutor garantir aos participantes clareza e fronteiras profissionais. Como tal é da responsabilidade do instrutor reconhecer e evitar situações de desrespeito ou de fronteiras pessoais atravessadas de forma imprópria. No caso de tal situação ocorrer, um processo formal de litígio deverá ser colocado em marcha nas autoridades que procederam à certificação do instrutor.

Este ponto relaciona-se diretamente com o segundo domínio do MBI-TACCompetências relacionais, e o sexto domínioCuidando do espaço de aprendizagem do grupo

 

Relação com outros instrutores de mindfulness

A prática de mindfulness expressa-se também pela forma como os instrutores se relacionam. É encorajada uma atitude apreciativa face aos outros instrutores, bem como a tentativa de endereçar potenciais conflitos, ou conflitos existentes, de uma forma construtiva, criando pontes e sinergias com o intuito de levar cada vez mais e melhor o mindfulness, a quem dele possa beneficiar.

Esta é uma oportunidade de praticar as atitudes de não-julgamento, desapego e generosidade, ao valorizar os esforços e realizações de outros instrutores sem tomar o seu crédito para si. Oportunidade também de realizar a interdependência que nos liga a todos.

 

Processos de litígio

Intenção de formar comissões éticas e compromisso com o processo de litígio e seu código

A confiança nos programas baseados em mindfulness, nos instrutores e treinadores de instrutores crescerá quando estes princípios e standards éticos fazem parte das fundações das organizações certificadoras e pelos instrutores e não é usada como descriminação competitiva, mas para o beneficio de todos os envolvidos.

Os instrutores e treinadores de instrutores comprometem-se com um processo e código de litígio, e colaborarão se ocorrer uma queixa contra eles.

 

Processo disciplinar

Os instrutores de mindfulness e treinadores de instrutores que violem o código de ética podem ser excluídos das suas organizações profissionais, perder a certificação, ou ser alvo de outras exigências ou censuras regulamentares.

 

 

Percurso esperado de um instrutor de programas baseados em mindfulness

Os princípios orientadores que se seguem foram adaptados do British Association of Mindfulness-Based Teachers (BAMBA). Estes princípios foram desenvolvidos com o propósito de promover boas práticas no ensino de programas baseados em mindfulness. Estes programas destinam-se a ensinar mindfulness com o objetivo de ajudar os participantes com os seus problemas de saúde física e/ou psicológica e com os desafios contínuos inerentes à vida. Estes princípios cobrem os programas baseados em mindfulness secular, com um currículo definido, normalmente de oito sessões com o professor e em grupo, e com 30 a 45 minutos de prática pessoal diária em casa, promovendo desenvolvimento e aprendizagem experiencial; têm um compromisso claro de serem baseados em evidências científicas.

 

Um Instrutor de programas baseados em mindfulness deve possuir os seguintes requisitos:

A. Formação de professores – Mindfulness Based Teacher Training (MBTT)

  1. Familiarização com o programa através da participação pessoal no programa que está a aprender a ensinar, com particular aprofundamento pessoal de todas as principais práticas de meditação deste programa baseado em mindfulness.
  2. Conclusão de um programa rigoroso e aprofundado de formação de professores – ou percurso supervisionado durante um período mínimo de 12 meses.

 

B. Formação prévia ou experiência relevante para além do Mindfulness Based Teacher Training

  1. Uma qualificação profissional em saúde mental ou física, educação ou assistência social, ou experiência de vida equivalente reconhecida pela organização ou contexto dentro do qual o ensino terá lugar.
  2. Conhecimento e experiência das populações às quais levará o programa baseado em mindfulness, incluindo experiência de ensino, prestação de cuidados terapêuticos ou de outro tipo com grupos e indivíduos, a menos que esses conhecimentos e experiência sejam fornecidos a um nível adequado através da própria formação de professores.
  3. Se estiver a ensinar o MBCT – formação profissional em saúde mental que inclua o uso de abordagens terapêuticas baseadas em evidências.

 

C. Requisitos contínuos de boas práticas

  1. Compromisso com uma prática pessoal de mindfulness através:
    • De uma prática diária regular formal e informal;
    • De participação anual em retiros de meditação mindfulness, guiados por um professor, com períodos de silêncio significativos
  2. Compromisso com processos que desenvolvem continuamente a prática do ensino do mindfulness:
    • Contacto contínuo com colegas que ensinem programas baseados em mindfulness, para partilha de experiências e aprendizagem colaborativa.
    • Processo contínuo e regular de supervisão, por um mentor de mindfulness certificado, incluíndo:
      • Oportunidade para refletir sobre o processo pessoal em relação com a prática pessoal de mindfulness e a experiencia do ensino do mindfulness;
      • Receber feedback periódico sobre o ensino do mindfulness através de gravações vídeo, o supervisor participando em sessões do programa a ser ensinado, ou co-ensinamento do programa com feedbacks reciprocos.
  3. Compromisso contínuo com a prática reflexiva apoiada, através da visualização de gravações de sessões de ensino pessoais, conexão com professores de mindfulness e leitura regular de livros relacionados com mindfulness. Envolvimento em formação adicional para desenvolvimento de habilidades e compreensão no ensino de programas com abordagens baseadas no mindfulness. Compromisso em manter-se atualizado com as mais atuais evidências relacionadas com as abordagens baseadas em mindfulness.
  4. Contínua adesão à estrutura ética adequada ao seu campo profissional e contexto de trabalho.

 

Lista das principais escolas de formação para programas baseados em mindfulness:

MBSR – Mindfulness Based Stress Reduction – https://medschool.ucsd.edu/som/fmph/research/mindfulness/Pages/default.aspx

MSC – Mindful Self-Compassion – https://centerformsc.org/

MBCT – Mindfulness Based Cognitive Therapy – http://mbct.co.uk/

Breathworks – www.breathworks-mindfulness.org.uk

MBLC – Mindfulness Based Living Course – www.mindfulnessassociation.net

MBCP – Mindfulness Based Childbirth and Parenting – www.mindfulbirthing.org

MBRP – Mindfulness Based Relapse Prevention – www.mindfulrp.com

MBAR – Mindfulness Based Addiction Recovery – www.valeriemason-john.com/mindfulness-based-addiction-recovery

Mindfulness for Life – www.youthmindfulness.org/

MBCT-L – Mindfulness-based Cognitive Therapy for Life – www.oxfordmindfulness.org

 

Outras referências usadas neste documento

Site da International Mindfulness Integrity Network – https://iminetwork.org/
Site da British Association of Mindfulness-based Approaches – https://bamba.org.uk/

Rebecca S. Crane, Judith G. Soulsby, Willem Kuyken, J. Mark, G.Williams, Catrin Eames, Trish Bartley, Lucinda Cooper, Alison Evans, Melanie J.V. Fennell, Eluned Gold, Jody Mardula and Sarah Silverton (2017), Mindfulness-based Interventions Teaching Assessment Criteria (MBI:TAC)

R.S. Crane et al, Training teachers to deliver mindfulness-based interventions: Learning from the UK Experience, (2010), https://www.bangor.ac.uk/mindfulness/documents/2010trainingarticle.pdf

Jon Kabat-Zinn, Saki Santorelli, Melissa Blacker, Jeffrey Batley, Florence Meleo-Meyer, Paul Grossman, Ulrike Kesper-Grossman, Diane Reibel, Bob Stahl – Training Teachers to Deliver Mindfulness Based Stress Reduction – Principles and Standards

Center for Mindfulness in Medicine, Healthcare, and Society – University of Massachusetts Medical School 2012

R.S. Crane, Judith Soulsby, Willem Kuyken, J. Mark G. Williams, Catrin Eames, Christoph Egger–Büssing et al. European Associations for mindfulness based Approaches (EAMBA) – Ethical guidelines for MBSR and MBCT teachers – Nov 2013 https://www.eamba.net/about

Alison Evans, Rebecca Crane, Lucinda Cooper, Jody Mardula, Jenny Wilks, Christina Surawy, Maura Kenny, Willem Kuyken

A Framework for Supervision for Mindfulness-Based Teachers: A Space for Embodied Mutual Inquiry Mindfulness (2015) 6:572–581 DOI 10.1007/s12671-014-0292-4 https://link.springer.com/article/10.1007/s12671-014-0292-4

R. S. Crane, J. Brewer, C. Feldman, J. Kabat-Zinn, S. Santorelli, J. M. G. Williams and W. Kuyken What defines mindfulness –based programs? The warp and the weft

Psychological Medicine, doi:10.1017/S0033291716003317 Page 1 of 10. © Cambridge University Press 2016

http://oxfordmindfulness.org/wp-content/uploads/2017/04/16-What-defines-mindfulness-based-programs-the-warp-and-the-weft.pdf

Pauline Eva Ruijgrok-Lupton, Rebecca S. Crane, Dusana Dorjee

Impact of Mindfulness-Based Teacher Training on MBSR Participant Well-Being Outcomes and Course Satisfaction

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