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Mente de Principiante

Mente de Principiante

 

A mente de principiante é essencial para a contemplação. Contemplar significa observar algo pelo que é, tentando explorar e desvendar e permitir esse algo, sem nos identificarmos com a nossa experiência subjetiva – estados mentais, sentimentos, ou as ideias e pontos de vista construídos com base em experiências passadas.

Mente de principiante é algo muito próximo da curiosidade, é a capacidade de tomar contacto com algo como se fosse pela primeira vez – ou pela última vez – sem sobrepormos as nossas certezas. Isto abre possibilidades para algo novo e surpreendente surgir. Isto abre-nos para a experiência do extraordinário no ordinário das coisas do dia-a-dia. Abre espaço para o maravilhamento e o assombro. Abre-nos também para um espaço de liberdade e criatividade, que permite pensarmos fora da caixa e abraçarmos outros pontos de vista, sem termos que estar tão agarrados de forma rígida aos que conhecemos.

 

“Mente de principiante é algo muito próximo da curiosidade, é a capacidade de tomar contacto com algo como se fosse pela primeira vez – ou pela última vez – sem sobrepormos as nossas certezas.”

 

curiosidade é uma qualidade que parece ser muito mais natural para as crianças. À medida que fomos crescendo e que nos tornámos adultos, parece que nos fomos enchendo de certezas acerca de tudo. A nossa mente pensante tem opiniões e considera-se especialista acerca de quase tudo, o que tende a limitar bastante a capacidade de abertura e recetividade às coisas tal como são.

Devemos perguntar-nos frequentemente: Estou a ver as coisas tal como elas são aqui e agora, ou estou a ver apenas o reflexo das minhas opiniões e sentimentos?

 

“Devemos perguntar-nos frequentemente: Estou a ver as coisas tal como elas são aqui e agora, ou estou a ver apenas o reflexo das minhas opiniões e sentimentos?”

 

A mente de principiante convida-nos a um esvaziar de tanta narrativa interna, e a alargarmos a perspetiva através da qual estamos a contemplar a vida aqui e agora. Em vez de olharmos para a vida através de uma estreiteza de olhar (efeito túnel), que nos leva a visitar sempre os sítios que nos confirmam apenas o que já sabemos, ignorando o restante, devemos ampliar o olhar para ganhar amplitude de horizonte.

É um pouco como a atitude do método cientifico. Uma atitude exploratória dos fenómenos, uma vontade de investigar o que percecionamos, sem ter conclusões ou entendimentos definidos à priori, com honestidade e humildade perante o desenrolar do processo.

Humildade aqui no sentido de estar enraizado e equilibrado, com um bom contacto com a verdade.

A curiosidade funciona como um “antídoto” contra o piloto automático e ajuda a erradicar a ignorância e o extremismo. Quando temos uma abertura honesta a escutar os pontos de vista e os sentires dos outros, estamos também a abrir a porta à empatia, à nossa humanidade comum, ao altruísmo e à compaixão.

A curiosidade é uma atitude que previne a estagnação e a arrogância e coloca-nos no caminho do crescimento e sabedoria.

 

“A curiosidade funciona como um “antídoto” contra o piloto automático e ajuda a erradicar a ignorância e o extremismo.”

 

Termino este texto com um pequeno conto, que nos aponta para a importância da atitude da mente de principiante.

 

A chávena de chá

Havia um erudito arrogante que ouvira falar de um grande sábio, e disse para si próprio: «Não deve ter nada para me ensinar, mas também não perco nada por visitá-lo.» Uma vez em casa do sábio, ambos se sentaram na sala. O erudito começou a mostrar os seus saberes literários, usando todo o tipo de sentenças e divagando sobre várias matérias. De súbito, o sábio disse:- Um momento, vou trazer chá. Voltou com um tabuleiro com duas chávenas e uma chaleira. Começou a servir chá na chávena do convidado e, quando esta já estava cheia, continuou a servir chá, derramando-o pela mesa. O convidado, mal-humorado, exclamou:- Mas não está a ver que a chávena já está cheia? O sábio respondeu serenamente:- E o senhor não vê que, com tanto conhecimento emprestado, não é capaz de aprender mais nada?”, Ramiro Calle in Os Melhores Contos Espirituais do Oriente

 

 

Filipe Raposo

Novembro de 2023

 

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