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Como se cultiva Mindfulness?

Como se cultiva mindfulness?

 

Depois de termos uma definição operacional do que é mindfulness, importa saber como o cultivar, caso contrário trata-se apenas de conhecimento teórico sem qualquer potencial de transformação ou evolução. Seria um pouco como ler todas as enciclopédias do mundo para compreendermos o que é uma laranja, mas nunca chegar a provar uma laranja. Ou então seria como ir a um magnifico restaurante e ficar perdido nas descrições dos pratos existentes na ementa e nunca passar à vivência de saborear os alimentos.

Mindfulness pode e deve ser cultivado em qualquer momento ou circunstância da nossa vida. Qualquer momento é uma boa oportunidade para cultivarmos esta qualidade de consciência. Habitualmente cultivamos mindfulness através das chamadas práticas informais e práticas formais.

 

“Mindfulness pode e deve ser cultivado em qualquer momento ou circunstância da nossa vida.”

 

Práticas Informais

As práticas informais são aquelas que realizamos no nosso dia-a-dia, sempre que cultivamos aqueles elementos de mindfulness (consciência, atençãointenção, momento presente, atitudes fundamentais) no decorrer das nossas atividades quotidianas. Pode ser por exemplo ao escovarmos os dentes, ou ao bebermos um chá, ou ao fazermos uma refeição, ou ao conversarmos com alguém. Podem ser práticas tão curtas quanto alguns segundos ou tão longas quanto alguns minutos e ajudam a estabelecer e enraizar o estado de mindfulness na nossa mente como um novo hábito.

 

Práticas Formais

As práticas formais são aquelas em que nos dedicamos exclusivamente a desenvolver mindfulness. Nestas práticas há um contexto e uma metodologia vocacionada ao cultivo do mindfulness. Falamos aqui em primeiro lugar da meditação como a grande ferramenta para desenvolver mindfulness, mas temos também outras formas como o movimento consciente, que podemos considerar uma meditação dinâmica, ou ainda o diálogo contemplativo.

 

…meditação como a grande ferramenta para desenvolver mindfulness

 

No movimento consciente, como o próprio nome indica, usamos o movimento como forma de promover uma continuidade de atenção, ancorando esta atenção nas sensações físicas. Enquanto a nossa mente nos leva constantemente a divagar no passado ou no futuro, o corpo fala-nos sempre na linguagem do momento presente. O movimento aumenta o fluxo de sensações físicas o que facilita o processo da atenção se manter interessada e ancorada no aqui e agora.

No diálogo contemplativo, duas ou mais pessoas refletem e partilham acerca da sua experiência do momento presente, sempre mantendo uma conexão com o que está a ocorrer para si. Pode ser uma partilha espontânea, acerca da verdade do que está a emergir na experiência de cada um, sem se definir uma orientação, ou poderá haver um tema de reflexão que irá invocar determinada experiência.

 

Na meditação há uma metodologia a seguir, a qual tem vindo a ser refinada ao longo dos séculos no seio de várias tradições contemplativas. Há o aspeto da postura corporal a adotar que terá certamente impacto no estado mental (isto não significa que não possamos meditar em qualquer postura). Tal como é possível comer em qualquer postura, apesar de ser do senso comum que a postura sentado é a mais conducente a uma boa experiência e digestão, também no caso da meditação há posturas que conduzem a estados mentais mais benéficos à prática.

Para além da postura física, é necessário ir cuidando da postura mental. Pretendemos manter um equilíbrio mental nos elementos essenciais de mindfulness: atenção, intenção e atitudes. Cultivar atenção plena com a meditação pode ser um fim em si mesmo, e nesse caso estamos a fortalecer foco e concentração. Na tradição budista é o que se chama Samatha.

Poderemos também ter práticas de cariz mais investigativo, com o intuito de cultivar discernimento e sabedoria. Este tipo de meditação pode considerar-se mais avançado e é suportado por uma mente focada e concentrada. Na tradição budista é o que se chama Vipassana. Estes dois treinos da mente relacionados com mindfulness estão interligados e suportam-se mutuamente.

Há que ter em conta que existe uma grande diversidade de formas de meditar e com objetivos diversos. Neste âmbito referimo-nos exclusivamente à meditação mindfulness.

 

Então será que mindfulness e meditação mindfulness se referem à mesma coisa?

Confirme neste artigo.

 

Filipe Raposo

Outubro 2022

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